Você costuma seguir seu coração?

“O coração tem razões que a própria razão desconhece…”

Já ouviu isso né? Mas alguma vez você já parou pra pensar no que isso realmente significa?

Quando eu era mais nova e tinha dúvidas em relação a alguma coisa e compartilhava essa dúvida com minha mãe, ela me perguntava: ‘o que seu coração diz?’ Eu lembro que ficava muito incomodada com essa pergunta porque eu simplesmente não sabia o que dizer. Respondia então assim: ‘meu coração não diz nada!” Mas a verdade é que era eu quem não sabia ouvir.

Ouvir o coração significa ouvir a nossa essência em profundidade, sem qualquer tipo de juízo de valor e ‘conceitos’ e até ‘pré-conceitos’ que vamos absorvendo ao longo da vida. E isso não é nada fácil. Para ouvir o coração, é preciso despir-se. E a maioria de nós não está preparada para tal.

Dúvidas sobre qual caminho seguir? Pergunte ao coração.

Ir à escola, fazer uma faculdade (ou duas, três…), conseguir um bom emprego e se aposentar com 60 e poucos (ou muitos) anos. Apesar de que, na minha concepção, esse roteiro de vida laboral já está bem ultrapassado, muitos ainda o seguem, ou pior: o perseguem , sem questionamentos, acreditando se tratar da única alternativa possível ou viável para se garantir um bom score no incrível jogo chamado ‘vida’.

No lado pessoal não é muito diferente: namorar, casar, ter filhos. Em alguns casos, tem até idade para cada uma dessas etapas. A família cobra, a sociedade cobra isso. Logo, deve ser o certo, certo? Pode ser que sim. A verdade é que em nenhum dos casos existe um ‘certo’ e ‘errado’ existe apenas o certo para cada pessoa e este certo pode ser diferente do que estamos acostumados a ouvir como sendo o ‘certo’.

Falando nisso, tem outro texto sobre o ‘certo’ e o ‘certo a fazer’. Sim, tem diferença! Para ler, é só clicar aqui!

Ai, Tati, tá confuso isso!

Sim, eu sei, é confuso mesmo. Meu objetivo aqui é justamente provocar uma reflexão sobre os caminhos que escolhemos, que podem ser iguais ou diferentes daqueles que imaginávamos quando éramos crianças ou adolescentes. Ou que nossos pais, avós, tios e tias imaginavam… E tudo bem. E tudo bem também mudar de caminho quantas vezes acharmos necessário. Se essas mudanças forem feitas de acordo com o coração, o caminho sempre vai estar certo e eventualmente tudo vai fazer sentido. Mesmo que às vezes pareça loucura. Loucura maior, na minha opinião, seria não se permitir fazê-las.

Quem está vivendo a sua vida? Você ou seu avatar?

Viver está cada vez mais complicado. E não estou falando da crise econômica generalizada ou da violência das ruas. O conceito de viver a que me refiro é muito mais simples: viver a vida como ela é.

Se vamos a um show, é difícil achar alguém que não esteja com o celular na mão, gravando ou tirando fotos. Jogo de futebol? A mesma coisa. Até o Bolt postou no Snapchat o gol do Brasil na final das Olimpíadas.

avatar
O filme Avatar, de James Cameron, faz alusão ao encontro entre realidade e ficção.

No começo, eram as ocasiões especiais que mereciam o registro. Aos poucos, a necessidade de fazer cada momento especial transformou pratos de comida em verdadeiros eventos. E de repente estávamos todos vivendo na passarela: a cada passo, um ‘click’.

Postar nas redes sociais se tornou mais importante do que viver o momento. Fomos abduzidos pelo avatar que nós mesmos criamos. Ao invés de um grupo de amigos pra jogar conversa fora, temos centenas ou até milhares de seguidores. Ao postar uma foto, todo cuidado é pouco: tem filtros para todas as ocasiões e até sugestões de legendas prontas. Tudo para auxiliar na construção do nosso avatar, que nada mais é do que uma versão idealizada de nós mesmos.

Até aí tudo bem. Só que a vida não tem filtros e nem replay. E entre um post e outro devemos cuidar para não perdermos os gols da vida, digo, do jogo. No mundo perfeito dos comerciais de margarina que somos confrontados diariamente vale tudo. Só não vale se tornar espectador de si mesmo.