Pedale pra ser feliz!

Eu sempre digo que o primeiro passo para praticar uma atividade física com regularidade é escolher uma atividade que você goste e te motive a continuar. Motivação não faltou para Nicolau Trevisan, que pedalava 12km para ver a primeira namorada! E adivinha? Esta paixão fez surgir uma outra paixão: o amor pela bike. Nicolau é um dos 10 brasileiros a completar o Desafio Everesting HELLS500, onde o ciclista sobe o equivalente ao Everest!!!

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Essa conquista foi resultado de muito treino e dedicação. Com a bike, Nicolau passou a cuidar melhor da saúde, superou desafios, conheceu novos lugares e fez novos amigos. Gosta de pedalar? Já pensou em adotar a bicicleta como sua atividade física? Então confira a entrevista que eu fiz com o Nicolau, onde ele conta um pouco da sua trajetória sobre os pedais. Quem sabe você se anima?

  1. Há quanto tempo pedala? Quando você começou a pedalar, com que idade?

Minha primeira lembrança do termo ‘bicicleta’ é de um triciclo, quando eu tinha uns 4 anos. Devido às condições da minha família, fui ter minha primeira bicicleta com 12 anos. Era uma Caloi Cruizer Branca, me lembro bem disso. Como qualquer criança, o objetivo era me divertir ao máximo e, muitas vezes, o máximo significava a quebra da bicicleta (rsrs).

Depois disso, a bicicleta voltou à minha vida quando comecei a namorar. Usava como meio de transporte: pedalava 12 km para ver minha amada. Quando casei, mudei de cidade e utilizava ônibus para trabalhar. Então, resolvi comprar uma MTB, único modelo disponível na época, que depois eu mesmo transformei numa road.

Fiquei muito tempo afastado da bicicleta. De volta a Divinolândia, encontrei alguns amigos e retornamos aos pedais. Nessa época, conheci o aplicativo STRAVA e com ele observei que havia um pessoal que pedalava longas distâncias – minha primeira referência foi Renata Mesquita (hoje Embaixadora Specialized).

Em 2014, fiz meu primeiro Brevet com 200km e daí em diante nunca mais larguei a “magrela”.

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  1. Como você começou a pedalar? Alguém te incentivou?

Comecei a pedalar no MTB, mas minha paixão é a estrada, seja ela de que tamanho for. Minha incentivadora nessas “loucuras” foi minha esposa, que sempre me apoiou. No esporte, um grande amigo chamado Richard P. Dunner é um de meus mentores. Outro incentivador foi Claúdio Clarindo que dizia: “precisamos insistir, persistir, nunca desistir”.

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  1. Qual a sua rotina de treinos atual? Quantos dias/horas por semana você pedala?

Devido às provas longas, minha rotina é bem pesada: pedalo em média 5 a 6 dias por semana, algumas semanas inteiras outras dia sim dia não.

  1. O que a bike representa para a sua vida? Mudou alguma coisa na sua vida?

A bike pra mim representa paz de espírito, liberdade, superação, alegria entre muitas (acho que poderia escrever um tópico só disso rsrs).

Tudo mudou na minha vida: a bicicleta me levou a sair do sedentarismo, me levou a consultar um cardiologista para saber como eu estava e onde poderia chegar, me levou a uma nutricionista que me reensinou a comer, me levou a um treinador, pois dificilmente se chega a bons resultados treinando “achismos”…

A bike me levou a lugares que nunca um pacato cidadão de Divinolândia sonharia em chegar!

Em 2015, depois de pedalar provas de 200, 300, 400 e 600kms, surgiu a oportunidade de participar da Paris Brest Paris, a maior prova de ciclismo amador do mundo, com mais de 6000 atletas, com a missão de pedalar 1230kms entre Paris e Brest (Litoral da França).

Continuando como Randonneur, ainda completei a SR600 com 10.000m de elevação, 3 vezes o Brevet das Bandeiras com 1000kms, me tornei uns dos 30 brasileiros a ter o título de Randonneur 5000 e agora estou me preparando para completar o título de Randonneurs 10.000 (menos de 10 brasileiros alcançaram tal marca).

  1. Você é um dos 10 brasileiros a completar o Desafio Everesting HELLS500. Que desafio é esse? Como é? Quais as maiores dificuldades?

Este é um desafio somente para “loucos” (rsrs). A Hells500 propõe esse título para o ciclista que decide se desafiar a subir os 8848 metros do Everest. Para tanto, escolhemos a subida, jogamos a elevação numa calculadora do próprio desafio e, como resultado, ela dá quantas vezes temos que subir e descer, subir e descer… No meu caso subi 68 vezes o mesmo trajeto! Se isso já a desgastante para o físico, imagina para mente! Comecei por volta das 5h e terminei por volta das 23h. A dor depois das primeiras 5 horas é constante. Depois, o sol judiou bastante, mas estava focado, já havia feito uma tentativa com MTB na qual devido a fortes chuvas tive de desistir. Assim me propus a pedalar, a estratégia é não pensar no todo, mas sim em concentrar para completar cada subida.

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  1. Próximos desafios?

Meu próximo desafio é chegar ao Título de Randonneur 10.000. Para isso, preciso completar uma prova de mais de 1200kms. Vou ter essa chance aqui no Brasil: pretendo pedalar o LRM 1300 de Mogi das Cruzes.

  1. Algum conselho ou recomendação para quem quer começar a pedalar?

Conselhos… O primeiro passo é definir um objetivo: “quero pedalar por que?” Por diversão, para perder peso, para melhorar a qualidade de vida, para passear, ou para competir?

O ato de pedalar, na minha opinião, precisa dar prazer e este prazer fará com que você alcance seus objetivos.

E alerta: Cuidado com os aplicativos de celular! O Strava é uma ótima ferramenta para acompanhamento de treinos, mas pode virar um vilão quando o atleta acha que, por bater o tempo de um amigo (bater um KOM king of mountain), já se acha um atleta de elite, o que pode ser muito frustrante, pois em provas oficiais, encontrará com certeza muitos que não bateram necessariamente seus KOMs, mas estão fisicamente e tecnicamente muito mais preparados.

Por fim, o conselho é: Pedale para ser feliz!